sexta-feira, 11 de maio de 2012

Tertúlia da Académica recordou anos 60

Tertúlia da Académica recordou anos 60


Em vésperas de mais uma presença da Académica na final da Taça de Portugal (a 20 de maio, frente ao Sporting) e com a presença de Francisco Andrade, Manuel António e Luís Eugénio, respetivamente treinador e jogadores da final de 1969, alguns sócios da Académica aproveitaram para debater o passado glorioso dos estudantes, sob a moderação de Gonçalo Reis Torgal, vice-presidente da Briosa, organizador da tertúlia. 

Entre os vários capítulos da história da Académica, foram ainda evocados, entre muitos outros, os nomes de Albano Paulo e José Maria Antunes, respetivamente treinador e capitão de equipa na final de 1939.

A noite foi ainda assinalada pela atuação do Coro Alma de Coimbra, formado por antigos estudantes da Universidade de Coimbra, e por uma missa celebrada ao fim da tarde, por alma de todos os jogadores já falecidos da Briosa.

Francisco Andrade, treinador da Académica na final de 1969, destacou os tempos dos anos 60 com os tempos de hoje não de uma forma saudosista, mas diferente.
"A Académica era o segundo clube no coração do país. Passei em 62 como atleta e em 69 e 74 como treinador. Na crise de 69, com o Sporting jogámos com um adesivo no emblema em sinal de luto académico e o país soube o se estava a passar.  Fomos a equipa maravilha. Tínhamos um lote de jogadores acima da média. A Taça atual é mais do que isso e é o momento ideal para aproximar aqueles que se desviaram da Académica. Só tem futuro quem teve passado", relembrou o antigo técnico. Francisco Andrade defendeu ainda que na Académica os jogadores estudantes deveriam ser em maior número.

Manuel António, ex-jogador da Académica que marcou frente ao Benfica em 1969, recordou o dia especial que foi a final de 1969 no Estádio do Jamor.
"Nós entrámos a passo na final do Jamor com a capa aberta. Tive a felicidade de marcar aquele golo a 7 minutos do fim. Toda a equipa era formada por estudantes. Era um ambiente completamente diferente do de hoje. Na altura ganhava 500 escudos", recordou.

Também Luís Eugénio, que esteve nas duas finais de 67 e 69, recordou os tempos diferentes dos dias de hoje. "Nós vivíamos juntos, aprendíamos a disciplinarmo-nos e a amar a cidade. Este é o clube com ideias diferentes, com uma história maravilhosa de integração", concluiu.

O presidente José Eduardo Simões, no âmbito de uma tertúlia sobre as outras quatro finais da Taça de Portugal na história do clube, mostrou-se claro quanto aos objetivos da equipa. “Que a nossa verdadeira final da Taça seja este sábado em Guimarães…”, observou o dirigente durante a sua intervenção na tertúlia.

Já quanto ao tema em debate, destacou que os tempos são difíceis de comparar e que a Académica tem este ano menos estudantes universitários que noutros anos, que não há tantas facilidades para fixar jogadores em Coimbra, que impera o dinheiro no futebol, mas que a Académica continua a ser o 2º clube da maioria dos portugueses.